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Desaventureiro

Um mundo sobre aventuras, contos, lembranças, poemas, sentimentos e aprendizado.





E seu chegasse pra você e te pedisse perdão?
Você não sabe o que eu fiz, eu também não diria o que seria.
Apenas afirmaria que que te fiz uma coisa muito ruim.
Você me perdoaria?

Há chances de nem me conhecer, isso complica ou facilita o perdão?
Um desconhecido te pedindo perdão.

E se eu te pedisse pra se lembrar do pior momento da sua vida, e dissesse que foi minha culpa?
Se eu me ajoelhasse e com lágrimas nos olhos e apenas esperasse.
Você me perdoaria?

Meu corpo ficaria a sua mercê e eu não reagiria a nada.
Você poderia se "purificar" nessa vingança. Você me perdoaria?

E se eu dissesse que a dor que você sentiu ou sente foi por minha causa?
Não me pergunte como fiz tamanha crueldade,
apenas reaja com vingança ou perdão.

Eu apenas te digo que foi minha culpa. Me perdoa?


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E lá estava eu mais uma vez, me regando de álcool enquanto fazia danças sem significados. Ao 
meu redor, muita gente e ninguém ao mesmo tempo. Havia amigos também.  
Imaginando essa cena que parece tão comum e alegre, por que eu me sentia e sinto vazio? Eu 
bebi, meu copo estava sempre cheio,  meu coração não.

Na minha memória só ficaram coisas simples, quem sabe dizer o que eu fiz de estranho e/ou 
ousado?

Agora me veio um pesamento, sobre aquela dança sem significado, ela poderia ser uma dança do 
acasalamento e eu a espera de uma "presa". A dança falhou, saí sem ninguém. Eu queria alguém?

Quando eu estou em casa e bebo, preencho um pouco do vazio e da solidão que eu sinto nas 
madrugadas, meu coração fica vazio, mas eu consigo superar. Não aguento a solidão, mesmo bebendo e perto de pessoas na balada. 

Eu me conheço e sei que mesmo reclamando, lá estarei na próxima festa. Tonto, dançando e rindo. Não feliz. Eterno até o som se desligar.
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Hoje eu chorei e sorri. Em lembranças que eu nem sei se são reais, podem ser apenas desejos 
infantis. Deixei aquela centelha de felicidade me invadir um pouco.
Hoje eu sorri e chorei,  naquele pequeno espaço de tempo eu fui feliz, apenas nele, pois tenho 
consciência de que não sou feliz e isso não me atormenta. Escrevo isso de olhos marejados, 
aproveitando cada instante. Isso não vai durar pra sempre, só quero eternizar em palavras que 
depois irei ler e me achar bobo. Eu me conheço.

Tenho essa música na cabeça, deve ser culpa dela, faz tanto tempo que não escuto algo que me 
faça ficar feliz e triste ao mesmo tempo. - Na verdade sempre estou assim - Se essa música 
fosse uma pessoa eu a abraçaria. Poderia ser o cantor, mas não teria o significado.

Estou feliz por sentir, por chorar, por sorrir, por essas palavras perdidas.

Hoje eu sorri chorando, não, chorei sorrindo!

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Hoje eu assisti a um filme onde lutavam para que cada um tivesse o direito de fazer o que 
quiser com a vida, a nossa eterna batalha. E no decorrer da história um jovem tenta o suicídio, 
mas o impedem. E nessa cena me surgiu a pergunta, ele não tem o direito de morrer?
Em nossa vida vamos aprendendo que se não queremos mais participar de algo podemos simplesmente 
sair, deixar de participar. E na vida? Não é a mesma coisa? Teoricamente falando.

Ja vi dezenas de especulações religiosas e não-religiosas sobre o nosso destino pós suicídio, e 
como sempre nessas questões da nossa origem e do nosso fim, nunca existe certeza. 
Ainda não estou dissertando sobre os motivos que levam ao suicídio, apenas sobre a centelha de 
hipocrisia que surgiu no filme. Melhor parar por aqui porque vou acabar me perdendo nesses 
questionamentos e como sempre não vou ter minhas respostas.
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Eu não gosto do meu "Eu" feliz, ele não costuma pensar, age impulsivamente e não tem certeza de nada. Ri de todas as coisas, a maioria delas sem sentido, se faz de idiota por isso e assim continua.
O meu Eu feliz fere as pessoas ao dizer coisas confortáveis e não a realidade na hora certa; costuma achar que está bem, mas é como se tivesse um "coágulo" no cérebro e nem suspeitasse. O meu eu feliz não aprecia a leitura por completo, cria uma barreira para que o "pensar" não penetre e acabe com a festa clandestina. 

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Naquele dia saí de casa ás 8:00, obviamente atrasado, não por causa da vaidade, mas pelos  
devaneios e compulsão por informação que surgem durante a noite. Caminhando, com a mochila de 
lado, eu escolhia qual música me acompanharia no trajeto até o trabalho: Coldplay.
Ao chegar na praça sabia que já estava na metade do caminho, foi então que eu o vi, com sua 
bolsa carteiro, atrasado como eu. Me senti feliz, ele não havia me visto, então eu podia sorrir 
sem pudor.  
O tráfego estava agitado aquela manhã, o que é raro para uma cidade do interior, seria possível 
que todo mundo resolvera se atrasar?
Eu ainda não havia desviado o olhar dele, que agora estava na minha frente, em apenas um 
"atravessar" de distância. Ele olhou para trás. Me viu. Me assustei por 1 segundo, não esperava 
contato visual pois me sentia um perseguidor por acidente, indo para o trabalho que 
coincidentemente era perto do seu. 
Os carros não me deixavam passar; aquele olhar e sorriso de lado, foi simples e casual, mas pra 
mim significava "desculpe, não posso esperar, estou atrasado!". 
Naquele momento eu odiei todos os carros e meios de transporte, tudo o que me privou de ter 
aquela presença por mais curta que fosse. Naquele dia odiei os carros, motos, bicicletas e 
ônibus. Mas naquele dia agradeci ao atraso.

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A justiça é uma maneira "bem vista" para os homens desejarem e obterem a sua vingança.
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Conviver com outras pessoas ás vezes nos obriga a ser o que não somos e a fazer o que não queremos.
Ás vezes escuto algumas pessoas reclamarem do trabalho delas, porque o acham muito "individual", claro que individualismo demais atrapalha e é sempre bom contar com alguma ajuda, mas o que eu quero dizer é que trabalhar em grupo tem lá seus problemas. Trabalho a 5 anos em uma Cooperativa e trabalhar em grupo é fundamental. Mas devo dizer que também é exaustivo.
É difícil eu me esforçar para fazer algo sabendo que alguém precisa de mim, sendo que eu não importo comigo mesmo, chame de egoísmo e eu chamarei de excesso de convivência. 
Há dias em que eu sonho em trabalhar naquelas mesas com divisórias, para apenas lidar comigo mesmo e com meu superior; me chame de antissocial, e eu direi que é apenas limite de convívio.
Acho lindo e poético o empreendedorismo, de alguns e o se tornar freelancer, de outros. É como se gritasse: "Cansei! Eu mando em mim!" ou "Eu sou capaz!". Isso vale para quem quer morar sozinho! E que fique aqui registrado, que é  algo que eu gostaria de experimentar!

Acredito que ser "sozinho" é ter a liberdade de decidir quando quer conviver com algo além de si mesmo.

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Mais uma vez, eu sentado e com uma garrafa de vinho aberta, foi tudo que eu encontrei.  Meu conformismo existe até dentro do supermercado, numa brincadeira de expectativa e realidade: "Será que tem, Martini? Droga, só tem vinho. Serve!" - Já tomei meia garrafa desse conformismo e por sinal, é só o começo.
Minha atenção deveria estar na minha panela, com batatas fritando, tenho a impressão de que irão queimar; eu não as descasquei, quando tiro as cascas sinto que eu as estou desonrando, tirando o direito delas de serem consumidas por inteiro. Mas na verdade é apenas preguiça!
Me recosto na cadeira, escutando Seychelles, tentando me recordar do meu dia. Queria dizer que ele foi incrível, mas o único momento de conforto está sendo este, com o álcool no sangue, escrevendo para todos e ninguém ao mesmo tempo. 
É a manifestação da vontade de me expressar e embriagar e fingir que esta é a minha função nessa vida. Ocupar espaço material e virtual. 
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Iniciava citando o amor e a sua falta
falava sobre a dor e a alma
era tão profundo que ninguém percebia
numa rima simbólica, não nessa estrofe.


Assim ele era, o poema de qualquer coisa
ou uma coisa qualquer, era um jogo de palavras
muito dizia e nada poderia compreender
mas você se identificava


Tinha um toque de saudade, ou seria lembrança
poderia ser lembrança da saudade de você
da distância dos nossos corpos
ou apenas da distância da minha caneca de café


Era irônico e agradável
como um sol forte no inverno
inferno
se tornava sério e consciente


Uma receita comum
de um poema qualquer
sobre qualquer coisa
de uma pessoa comum


Um final poético
e redundante.




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Eu fiquei um bom tempo encarando o bloco de notas tentando buscar as palavras que me fugiram, eu tinha tanto pra falar e quando não conseguia escrever pensei em até desistir. Parecia que não seria digno escrever algo que não fosse fluído, não seria natural, seria forçado. Mas aqui estou eu, escrevendo, as palavras fluindo num sentido que não tem sentido, mas que alivia.
Eu pretendia ler, a escrever, fiquei encarando o livro que eu quase estava finalizando, ele me encarava de volta, como se dissesse "Leia-me e sigas com tua vida.", não, eu precisava terminar de escrever essas palavras que imploravam para ser fluídas e em breve esquecidas. 
No relógio marcavam 01:24 da manhã, eu calculava quanto tempo eu teria de sono, me esquecendo que o livro me encarava e me intimava para finalizá-lo, decidi não pensar nas olheiras que cada página dele iria me causar, não faria diferença, olheiras faziam parte do meu visual a muito tempo. ... A pausa, significava que as palavras não iriam mais fluir, sem um desfecho aparente  em um assunto irrelevante, decidi, finalmente, enfrentar as páginas que agora iriam lutar, não contra as palavras que fluíam, mas contra meu sono.
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Hoje eu acordei sentindo falta de algo em mim. Tateei o corpo pra saber o que poderia ser, mas não era por fora.
Me parecia ser mais a falta de algo "interno". Algo havia desaparecido, havia uma brecha, um vazio estranho. 
Quando me olhei no espelho, esperei a minha autocrítica despertar e iniciar a sua sessão matinal de ofensas:
"Você está velho", "A obesidade está apenas a 1 fatia de bolo à frente", "O que você pretende com esse cabelo?"; esperei e nada aconteceu.
Havia uma indiferença sutil naquilo tudo, eu não amava e nem desgostava da imagem refletida, com um "tanto faz" estampado na testa e uma ausência interna, segui com o meu dia.  
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Sobre o Desaventureiro

Oi! Eu sou o Tarick, sou mineiro e ilustrador. Este blog contém pensamentos, sensações e lembranças que transformo em textos e poemas. Eu descobri que posso ser aventureiro sem sair do lugar, explorando ideias e mundos literários. Por isso criei o Desaventureiro. Um espaço para viajarmos juntos! Preparados? Vamos mesmo assim!

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