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Desaventureiro

Um mundo sobre aventuras, contos, lembranças, poemas, sentimentos e aprendizado.





Querida Maysa, hoje eu te ouvi novamente. Se você tivesse me visto nos últimos dias, será que ficaria orgulhosa ou me atiraria bebida na cara? Ah, se tivesse me visto...
Bebendo como nunca, falando alto, rindo e alucinando num retrato  de vida feliz.
Me esquecendo das dores e responsabilidades. Confesso que fui mais livre, tragando e brincando enquanto a fumaça de dissipava.

Buscando abrigo nos braços de terceiros. Um nômade quase inconsciente. Não, não achei tantos abrigos assim. Abrigos fáceis são perigosos, desabam facilmente. Queria um lar, Maysa! Isso deveria ser mais simples...

Já estou te imaginando com o cigarro na mão, perdendo a paciência com meus relatos. Olhando o gelo derretendo em seu copo. Mas eu sei que você me entende. Entende e não sorri.

Será que eu terei salvação, Maysa? Será que eu vou conseguir redenção? Ou acordar correndo para o banheiro e vomitar meus pecados na manhã seguinte; será meu novo caminho? Estou preenchendo meus vazios com álcool.

Me peguei ontem contando moedas, me preparando para mais uma batalha contra eu mesmo. Faz tempo que não tenho  "pensamentos ruins" como antes, você se lembra como eram? Estou bem sem eles. Ainda estão se afogando aqui.

O tempo está se fechando de novo. A chuva me frustra!

Bom, só queria te contar isso. Te jogar palavras e lembranças de dias recentes, contar que certezas estão mudando.

Até outro dia, minha cara.
Um brinde!

Beijos...


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Após dormir por 26 horas eu me vi obrigado a sair debaixo daquelas cobertas. Enquanto havia um tempo chuvoso lá fora. Um domingo de manhã. Foi quando eu senti um vazio, eu me sentia desnorteado. É difícil viver uma manhã de domingo em casa. Eu, pelo menos, não sei como vivê-la.

O dia foi correndo e só me apareciam flashes do domingo passado. Mas este domingo estava calmo demais.  Era surreal.

Me permiti a preguiça, ficar de pijamas e minha camisa xadrez favorita. Os cabelos? Não havia
um cacho aqui.  Terminei de ver alguns filmes e havia uma inquietação alí, pensei que pudesse ser só a lembrança de um banho esquecido.  Nossa! 26 horas! Corri para o banheiro, enquanto a água escorria eu só pensava em estar longe. Notem que esse é um pensamento raro pra mim, não o repreendi. Deixei rolar. Me vesti e voltei pra sessão se filmes.


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Dos amores impossíveis eu quero distância. Mas peço permissão para observar com esperança.


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Não sei o que contar para você, que espera um relato, talvez feliz, da minha vida. Sinto que estou te decepcionando sempre com palavras tristes. Me desculpe!

Parece aquelas conversas entre conhecidos na rua (que você nem se lembrava que tinha saudades), sempre começando com: "E aí, tem novidades?" e então a pessoa diz: "Não...  só *insira aqui o nome de um parente mais próximo* que faleceu.", daí você fica com aquela cara de "Como vim parar aqui?"; isso se, assim como eu, você não sabe reagir com esse tipo de notícia.

Me desculpe o desconforto ao dizer, que o meu peito pesa, quando meu cérebro constrói sonhos e os destrói por conta própria. É como assistir a um filme com um vilão e não poder fazer nada para ajudar.
Me desculpe por te afundar ao meio dessa melancolia, de um jovem (des) Aventureiro, ingênuo para as trapaças dos sentimentos e cruel com os próprios sonhos.

Não me atrevo a pedir empatia por este texto trabalhado em "Sou vítima da culpa", apenas me desculpe por palavras que precisaram ser escritas aqui.

Para você, para todos e ninguém ao mesmo tempo.

Me desculpe!



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É incrível o quanto você acaba se descobrindo quando está sozinho, mas nem sempre são descobertas boas. Hoje mesmo descobri que sou covarde e dependente. Me decepcionei ao me ver só, eu esperava mais, esperava principalmente que eu estivesse acostumado com essa solidão. Mas acontece que não dá pra acostumar e eu odeio ficar só.
Oh, como eu gostaria de ter coragem. Como eu gostaria de me aproximar. Como eu gostaria que a pessoa que eu gosto não me desse apenas abraços de despedida ou segurasse minha mão apenas no escuro. Gostaria que houvesse menos adeus.
Na noite de Quinta me vi cercado pelo mesmo vazio que haveria na noite de Sexta.
Me lembrei que desde criança minha habilidade de fazer amigos era tão precária que eu criei amigos imaginários. E os mesmos viviam em longas viagens [Irônico], fazendo despedidas virarem uma rotina na vida do meu Eu criança.
Nesta mesma época conheci a história do Mágico de Oz e me lembro que o Leão desejava ter coragem e descobre que sempre a teve. Também quero descobrir a minha coragem, onde está o Mágico para me mostrar isso?
Quero conseguir me sentar sozinho em uma mesa de bar e aceitar a minha própria  companhia, que me decepciona, me alegra e me faz querer que alguém puxe uma cadeira, se sente e inicie uma conversa como se fossemos velhos amigos. E então fizéssemos um brinde, por um mundo com mais abraços e menos despedidas.
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Jurei que montaria barreiras
Uma vez que fui invadido,
Nunca mais a segurança se fez presente
Irradiando um calor frio
Meus dias já estão lentos.

Se esta noite eu cair de joelhos
Não será para perdão.
Se hoje eu abrir o meu peito
Espero que não seja em vão.

Visitas caladas,
Entro bem, saio confuso
Encontro a razão no escuro.
Visitas rápidas,
Não me acomodo neste lugar.

Volto quando o café esfriar...



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O quanto uma espera pode machucar?
Cada movimento do ponteiro
uma flechada de agonia.

Teste de paciência

Você me testa
luto para não falhar.
Crueldade.

Nunca lidei bem com a espera
nem com perda de tempo
Gosto de gastá-lo, não perdê-lo.

Esta sala de espera sem paredes.
Ela pode transparecer meus medos?
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Entre risadas e trocas de histórias, não havia chão.
Entre a informalidade dos atos e a luz da rua, não havia o impossível.

Entre o medo e o alívio, havia eu.

Entre a proposta e o sim, havia o nervosismo.

Ruas escuras, nunca as vi. O tempo passou e eu nem senti.

Portão aberto. Porta fechada. Um "Entre!", meu silêncio admirado.
Do ataque ao fim o sangue ardia. Permissão a ser vulnerável.

Agora a espera. De volta ao casual.

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Não consigo descobrir o que despertou o interesse dele por mim, muito menos o que me atraiu nele.
De repente o convite surgiu: "Vem até a minha casa pra gente beber alguma coisa?", perguntei a que horas deveria estar lá, respondeu: "Te ligo ás 19:00".
Saí para fazer minha caminhada como sempre, eu estava nervoso e esperando a ligação...  Já eram 20:00 e ele não me ligou, eu já estava me sentindo aliviado; era um alívio triste devo dizer, até que o celular e a calma se vai e fico estranhamente feliz com isso. Ao telefone, me diz que virá me buscar às 21:00! Ou seja, eu tinha 1 hora para me arrumar e ensaiar como conter o nervosismo e agir com casualidade.
Ouço a buzina do carro. "É agora", pensei.  Entrei no carro, e no caminho ele falava sobre assuntos que eu não me lembro porque estava ocupado tentando me imaginar fora daquela cena, observando. Queria saber o porque de estar ali, no fundo eu já sabia. Queria me sentir desejado, mais jovem, por isso eu estava com um cara muito mais velho. Triste (como sempre).
Quando chegamos na casa dele, foi iniciado aquele famoso "tour" pelas acomodações: Sala, cozinha, varanda e por último, o quarto é lógico.
Eu já estava em um ponto que eu não podia mais me controlar e quando me dei conta já havia acabado e eu não me sentia bem. Definitivamente o sexo não era a solução para me sentir bem e naquela situação só me fez sentir pior. Me sentia como se tivesse me vendido para aumentar minha autoestima. Isso existe? Acho que se eu tivesse cobrado poderia ter saído com um pouco de dignidade...
Isso já fazem meses. Nunca mais o vi desde então e nem procuro ver. Me concentrei em me sentir bem sem depender de ninguém. Falhei, mas não desisti. Qual o sentido disso? Nenhum. Nada é suficiente para alguém se sentir completo. Estamos sempre mudando de ideia e a cada nova ideia, uma necessidade surge e ela pode nunca ser suprida. Nunca.
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Eu estava sentado no chão do meu quarto, rodeado de caixas, empacotando minha vida e jogando fora ou doando o que eu não iria mais usar. 21 anos de história em um local, agora se preparando para serem transferidos para um novo.
Lembro de ficar me perguntando "É tão simples assim, lacrar uma caixa, com sua vida, usando fita adesiva?"
Ao mesmo tempo não conseguia enxergar a resposta claramente, "calculava" se meus livros iriam caber naquela caixa empoeirada. Couberam.


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A luz do poste se acendeu
carros passando,
noite de Domingo.

Cães latindo ao longe
o meu, deitado ao meu lado,
noite do interior.

Janelas abertas
tvs ligadas,
noite comum.

Besouros voando
eu quieto observando,
noite solitária.

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Fim de tarde cinzenta de Domingo com leves dourados de sol, anunciando que tudo aquilo que eu vivi estava chegando ao fim, naquele dia, por enquanto.
O dourado se torna cobre ao mesmo tempo que fica fraco. Estou no jardim de pedra, num banco de ferro, confortáveis só as plantas, que crescem na terra fofa dos canteiros, estariam dormindo?
Céu azul, nuvens douradas, formas estranhas. Inverno quente, logo imagino as tardes de Dezembro.
Gosto de olhar a textura da pele fazendo dos olhos, lentes, focando e desfocando, me perdendo em linhas e defeitos?
Não vejo pôr do sol, só o céu azul claro, no jardim de pedra.
Quero sair...


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Preguiça de escrever
aquilo que depois vou ter preguiça de ler.

Preguiça irritante da manhã
preguiça aceitável da tarde
preguiça do dia.

Bocejo imaginando o levantar
e o finalizo continuando sentado
desejando deitar.


Aquela preguiça lenta
como um som de violão, humildemente tocado.

Sorrir dá trabalho
chorar é cansativo
preguiça de querer você comigo.

Podia mudar minha vida,
mas tenho medo da preguiça ir embora
ofendida, esquecida e traída.

Preguiça de terminar
sem ponto(.)


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Foi numa tarde fria que eu quis ser gentil
e nesta mesma tarde me jogaram arrogância.

Foi numa tarde fria que deixei a tinta de caneta 
se fazerem de lágrimas a ser enxugadas pelo papel.

(Nesta tarde escrevi frases sentimentais)

O dia em que me senti triste e com raiva. Raiva que surgiu da inveja
que tenho de quem não se importa. Quem se importa?

Foi numa tarde que me vi, pela primeira vez na semana, me perguntando
o que eu estava sentindo. O que eu estou sentindo? Ah! Você se importa?

Vou sentir o que você quiser que eu sinta.

Se eu me visse escrevendo isso agora, com essa expressão pensativa,
poderia julgar ser algo muito importante, mas não é. É só o que eu sinto.
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E seu chegasse pra você e te pedisse perdão?
Você não sabe o que eu fiz, eu também não diria o que seria.
Apenas afirmaria que que te fiz uma coisa muito ruim.
Você me perdoaria?

Há chances de nem me conhecer, isso complica ou facilita o perdão?
Um desconhecido te pedindo perdão.

E se eu te pedisse pra se lembrar do pior momento da sua vida, e dissesse que foi minha culpa?
Se eu me ajoelhasse e com lágrimas nos olhos e apenas esperasse.
Você me perdoaria?

Meu corpo ficaria a sua mercê e eu não reagiria a nada.
Você poderia se "purificar" nessa vingança. Você me perdoaria?

E se eu dissesse que a dor que você sentiu ou sente foi por minha causa?
Não me pergunte como fiz tamanha crueldade,
apenas reaja com vingança ou perdão.

Eu apenas te digo que foi minha culpa. Me perdoa?


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E lá estava eu mais uma vez, me regando de álcool enquanto fazia danças sem significados. Ao 
meu redor, muita gente e ninguém ao mesmo tempo. Havia amigos também.  
Imaginando essa cena que parece tão comum e alegre, por que eu me sentia e sinto vazio? Eu 
bebi, meu copo estava sempre cheio,  meu coração não.

Na minha memória só ficaram coisas simples, quem sabe dizer o que eu fiz de estranho e/ou 
ousado?

Agora me veio um pesamento, sobre aquela dança sem significado, ela poderia ser uma dança do 
acasalamento e eu a espera de uma "presa". A dança falhou, saí sem ninguém. Eu queria alguém?

Quando eu estou em casa e bebo, preencho um pouco do vazio e da solidão que eu sinto nas 
madrugadas, meu coração fica vazio, mas eu consigo superar. Não aguento a solidão, mesmo bebendo e perto de pessoas na balada. 

Eu me conheço e sei que mesmo reclamando, lá estarei na próxima festa. Tonto, dançando e rindo. Não feliz. Eterno até o som se desligar.
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Hoje eu chorei e sorri. Em lembranças que eu nem sei se são reais, podem ser apenas desejos 
infantis. Deixei aquela centelha de felicidade me invadir um pouco.
Hoje eu sorri e chorei,  naquele pequeno espaço de tempo eu fui feliz, apenas nele, pois tenho 
consciência de que não sou feliz e isso não me atormenta. Escrevo isso de olhos marejados, 
aproveitando cada instante. Isso não vai durar pra sempre, só quero eternizar em palavras que 
depois irei ler e me achar bobo. Eu me conheço.

Tenho essa música na cabeça, deve ser culpa dela, faz tanto tempo que não escuto algo que me 
faça ficar feliz e triste ao mesmo tempo. - Na verdade sempre estou assim - Se essa música 
fosse uma pessoa eu a abraçaria. Poderia ser o cantor, mas não teria o significado.

Estou feliz por sentir, por chorar, por sorrir, por essas palavras perdidas.

Hoje eu sorri chorando, não, chorei sorrindo!

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Hoje eu assisti a um filme onde lutavam para que cada um tivesse o direito de fazer o que 
quiser com a vida, a nossa eterna batalha. E no decorrer da história um jovem tenta o suicídio, 
mas o impedem. E nessa cena me surgiu a pergunta, ele não tem o direito de morrer?
Em nossa vida vamos aprendendo que se não queremos mais participar de algo podemos simplesmente 
sair, deixar de participar. E na vida? Não é a mesma coisa? Teoricamente falando.

Ja vi dezenas de especulações religiosas e não-religiosas sobre o nosso destino pós suicídio, e 
como sempre nessas questões da nossa origem e do nosso fim, nunca existe certeza. 
Ainda não estou dissertando sobre os motivos que levam ao suicídio, apenas sobre a centelha de 
hipocrisia que surgiu no filme. Melhor parar por aqui porque vou acabar me perdendo nesses 
questionamentos e como sempre não vou ter minhas respostas.
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Eu não gosto do meu "Eu" feliz, ele não costuma pensar, age impulsivamente e não tem certeza de nada. Ri de todas as coisas, a maioria delas sem sentido, se faz de idiota por isso e assim continua.
O meu Eu feliz fere as pessoas ao dizer coisas confortáveis e não a realidade na hora certa; costuma achar que está bem, mas é como se tivesse um "coágulo" no cérebro e nem suspeitasse. O meu eu feliz não aprecia a leitura por completo, cria uma barreira para que o "pensar" não penetre e acabe com a festa clandestina. 

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Naquele dia saí de casa ás 8:00, obviamente atrasado, não por causa da vaidade, mas pelos  
devaneios e compulsão por informação que surgem durante a noite. Caminhando, com a mochila de 
lado, eu escolhia qual música me acompanharia no trajeto até o trabalho: Coldplay.
Ao chegar na praça sabia que já estava na metade do caminho, foi então que eu o vi, com sua 
bolsa carteiro, atrasado como eu. Me senti feliz, ele não havia me visto, então eu podia sorrir 
sem pudor.  
O tráfego estava agitado aquela manhã, o que é raro para uma cidade do interior, seria possível 
que todo mundo resolvera se atrasar?
Eu ainda não havia desviado o olhar dele, que agora estava na minha frente, em apenas um 
"atravessar" de distância. Ele olhou para trás. Me viu. Me assustei por 1 segundo, não esperava 
contato visual pois me sentia um perseguidor por acidente, indo para o trabalho que 
coincidentemente era perto do seu. 
Os carros não me deixavam passar; aquele olhar e sorriso de lado, foi simples e casual, mas pra 
mim significava "desculpe, não posso esperar, estou atrasado!". 
Naquele momento eu odiei todos os carros e meios de transporte, tudo o que me privou de ter 
aquela presença por mais curta que fosse. Naquele dia odiei os carros, motos, bicicletas e 
ônibus. Mas naquele dia agradeci ao atraso.

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A justiça é uma maneira "bem vista" para os homens desejarem e obterem a sua vingança.
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Conviver com outras pessoas ás vezes nos obriga a ser o que não somos e a fazer o que não queremos.
Ás vezes escuto algumas pessoas reclamarem do trabalho delas, porque o acham muito "individual", claro que individualismo demais atrapalha e é sempre bom contar com alguma ajuda, mas o que eu quero dizer é que trabalhar em grupo tem lá seus problemas. Trabalho a 5 anos em uma Cooperativa e trabalhar em grupo é fundamental. Mas devo dizer que também é exaustivo.
É difícil eu me esforçar para fazer algo sabendo que alguém precisa de mim, sendo que eu não importo comigo mesmo, chame de egoísmo e eu chamarei de excesso de convivência. 
Há dias em que eu sonho em trabalhar naquelas mesas com divisórias, para apenas lidar comigo mesmo e com meu superior; me chame de antissocial, e eu direi que é apenas limite de convívio.
Acho lindo e poético o empreendedorismo, de alguns e o se tornar freelancer, de outros. É como se gritasse: "Cansei! Eu mando em mim!" ou "Eu sou capaz!". Isso vale para quem quer morar sozinho! E que fique aqui registrado, que é  algo que eu gostaria de experimentar!

Acredito que ser "sozinho" é ter a liberdade de decidir quando quer conviver com algo além de si mesmo.

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Mais uma vez, eu sentado e com uma garrafa de vinho aberta, foi tudo que eu encontrei.  Meu conformismo existe até dentro do supermercado, numa brincadeira de expectativa e realidade: "Será que tem, Martini? Droga, só tem vinho. Serve!" - Já tomei meia garrafa desse conformismo e por sinal, é só o começo.
Minha atenção deveria estar na minha panela, com batatas fritando, tenho a impressão de que irão queimar; eu não as descasquei, quando tiro as cascas sinto que eu as estou desonrando, tirando o direito delas de serem consumidas por inteiro. Mas na verdade é apenas preguiça!
Me recosto na cadeira, escutando Seychelles, tentando me recordar do meu dia. Queria dizer que ele foi incrível, mas o único momento de conforto está sendo este, com o álcool no sangue, escrevendo para todos e ninguém ao mesmo tempo. 
É a manifestação da vontade de me expressar e embriagar e fingir que esta é a minha função nessa vida. Ocupar espaço material e virtual. 
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Iniciava citando o amor e a sua falta
falava sobre a dor e a alma
era tão profundo que ninguém percebia
numa rima simbólica, não nessa estrofe.


Assim ele era, o poema de qualquer coisa
ou uma coisa qualquer, era um jogo de palavras
muito dizia e nada poderia compreender
mas você se identificava


Tinha um toque de saudade, ou seria lembrança
poderia ser lembrança da saudade de você
da distância dos nossos corpos
ou apenas da distância da minha caneca de café


Era irônico e agradável
como um sol forte no inverno
inferno
se tornava sério e consciente


Uma receita comum
de um poema qualquer
sobre qualquer coisa
de uma pessoa comum


Um final poético
e redundante.




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Eu fiquei um bom tempo encarando o bloco de notas tentando buscar as palavras que me fugiram, eu tinha tanto pra falar e quando não conseguia escrever pensei em até desistir. Parecia que não seria digno escrever algo que não fosse fluído, não seria natural, seria forçado. Mas aqui estou eu, escrevendo, as palavras fluindo num sentido que não tem sentido, mas que alivia.
Eu pretendia ler, a escrever, fiquei encarando o livro que eu quase estava finalizando, ele me encarava de volta, como se dissesse "Leia-me e sigas com tua vida.", não, eu precisava terminar de escrever essas palavras que imploravam para ser fluídas e em breve esquecidas. 
No relógio marcavam 01:24 da manhã, eu calculava quanto tempo eu teria de sono, me esquecendo que o livro me encarava e me intimava para finalizá-lo, decidi não pensar nas olheiras que cada página dele iria me causar, não faria diferença, olheiras faziam parte do meu visual a muito tempo. ... A pausa, significava que as palavras não iriam mais fluir, sem um desfecho aparente  em um assunto irrelevante, decidi, finalmente, enfrentar as páginas que agora iriam lutar, não contra as palavras que fluíam, mas contra meu sono.
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Hoje eu acordei sentindo falta de algo em mim. Tateei o corpo pra saber o que poderia ser, mas não era por fora.
Me parecia ser mais a falta de algo "interno". Algo havia desaparecido, havia uma brecha, um vazio estranho. 
Quando me olhei no espelho, esperei a minha autocrítica despertar e iniciar a sua sessão matinal de ofensas:
"Você está velho", "A obesidade está apenas a 1 fatia de bolo à frente", "O que você pretende com esse cabelo?"; esperei e nada aconteceu.
Havia uma indiferença sutil naquilo tudo, eu não amava e nem desgostava da imagem refletida, com um "tanto faz" estampado na testa e uma ausência interna, segui com o meu dia.  
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Dois estranhos, sentados, enfim o silêncio rompido por um deles:
- Eu não acredito em nada!
- Como assim? Isso é sério?
- Sim. Não me resta mais nada. Sou tudo o que tenho, de certa forma acredito em mim.
-  Sendo assim, você acredita em tudo.
- TUDO e NADA são exatamente as mesmas coisas. 
Houve apenas segundos de um silêncio pensativo.
- Mas basta apenas escolher um dos dois.
- Não fará diferença e nem há motivo nessa escolha.
- Insconscientemente você já escolheu, só não quer admitir.
- Eu já disse. Eu sou meu "tudo" e ainda acredito em nada.
- E o que isso quer dizer?
- Que apesar de tudo, eu ainda ACREDITO! Só me resta saber até quando...

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Aventuras Recentes

Sobre o Desaventureiro

Oi! Eu sou o Tarick, sou mineiro e ilustrador. Este blog contém pensamentos, sensações e lembranças que transformo em textos e poemas. Eu descobri que posso ser aventureiro sem sair do lugar, explorando ideias e mundos literários. Por isso criei o Desaventureiro. Um espaço para viajarmos juntos! Preparados? Vamos mesmo assim!

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