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Desaventureiro

Um mundo sobre aventuras, contos, lembranças, poemas, sentimentos e aprendizado.






Já ouvi dizer que fazer pão é uma tarefa sagrada. E percebemos isso em vários mitos religiosos ao redor do mundo. Um alimento clássico, presente em várias culturas (uns de milho, outros de trigo).

Mas você entende mais a dinâmica disso quando realmente faz um. 

Eu fiz pães, poucas vezes na minha vida, mas todas as vezes foram algo além do comum na cozinha. A atenção nas medidas e na espera pela massa crescer até o tempo de ir ao forno. Eu  me percebi mais presente na atividade que estava realizando.

Gosto de associar os bolos e pães como feitiços, no seu modo de fazer. E de certa forma, não deixam de ser (a magia na cozinha é uma das mais clássicas existentes). 

Quando você separa os ingredientes cuidadosamente, adicionando na ordem da receita; 
Lembrando do que a avós diziam: "Mexa no sentido horário, senão a massa 'desanda'." 
(E inconscientemente você o faz).  E vai seguindo a receita, até o tempo de criar coragem de adaptar ou experimentar novos ingredientes na massa.
Na sua mente você visualiza  como espera que a massa fique; e ao colocar a forma no forno, você se enche de expectativa, mas sabe que tem que ter paciência e esperar o tempo certo.
Você se desliga um pouco, mas em algum lugar na sua mente,  sabe que há delícias sendo preparadas, e apenas espera o tempo exato para obtê-las. 

Esse processo é mágico e sinto que o pão é ainda mais sensível em como VOCÊ está se sentindo quando o faz. Me diga, quantas vezes você foi em alguma padaria e o pão não estava com uma aparência ou gosto agradável, e talvez pensou "Nossa, o padeiro não estava de bom humor hoje..."?

Isso me faz pensar em como a massa é sensível a como você está se sentindo ao fazê-la. 


Porém, eu tenho uma amiga que gosta de cozinhar quando está triste porquê no final acaba se sentindo melhor. Mas a diferença que notei é que ela transforma aquele sentimento enquanto cozinha. Ela atribuiu um sentido "mágico" ao cozinhar e ao final do processo ela se sentia melhor e seus sentidos se abriam para o alimento. Mas quando você "amaldiçoa" até o processo de fazer a comida, então duvido muito que sinta o sabor que esperava.

Voltemos ao pão (haha)!  Quando fazemos um pão estamos repetindo a uma sabedoria antiga, símbolo de prosperidade, vida, morte e renascimento. A transformação de todo um trabalho em sustento.  Mesmo que hoje tenhamos outras tecnologias para nos ajudar, o processo aconteceu mesmo antes da sua avó.

E quando você se desperta para a sacralidade do ato, a sensação de olhar no forno e ver a sua massa crescida como esperava, se eleva a um nível que o sabor do alimento te faz nostálgico de um momento que nem se lembra que viveu, mas sabe que aconteceu!




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Se você trabalha com criações e está ativo nas redes sociais nestes últimos meses, você em algum momento deve ter passado por um estado de autocobrança por produtividade.

Eu falo isso porque eu estou passando por isso ultimamente e sei que muitos outros também. Além  da pandemia e dos muitos acontecimentos lá fora (escrevo isso em isolamento), muitos enfrentamos um caos pessoal para continuar produzindo e tentando levar os dias o mais "normal" possível, mas não são tempos normais para isso!

Ás vezes eu olho para a minha mesa cheia de papeis e tintas, tentando criar coragem para sentar ali e criar, mas algo me impede. E ao tentar ir nas redes sociais e ver criações alheias para me inspirar, isso acaba tendo um efeito contrário: "Nossa, será que eu sou um fracasso?". 

Isso vai muito além de um bloqueio criativo (pelo qual todos passamos em algum momento), é como se você quisesse dar uma pausa de todo o caos que está acontecendo e a preocupação com aquele projeto não vai ajudar nesta "pausa". 

Principalmente se isso for algo que irá te trazer renda (que sabemos que nesse momento é muito importante para muita gente). Infelizmente há coisas que não podemos parar...

Se você tem um prazo curto, tente fazê-lo em pequenas etapas. 
  • Faça quantas pausas forem necessárias; 
  • veja videos engraçados; se alongue; 
  • respire fundo. 
  • Você consegue! 
  • Você não está só!
Estamos em um momento diferente, difícil e sem mencionar HISTÓRICO! E além do autocuidado de higiene e isolamento, temos que cuidar da nossa saúde mental e emocional. Jé existem muitas cobranças desnecessárias na sociedade e você não precisa fazer uma consigo mesmo. 

E eu quero dizer para você, que está tudo bem não criar algo agora. Você não precisa fazer um projeto todos os dias ou toda semana. Embora a situação seja mais do que um "bloqueio criativo", experimente fazer coisas que normalmente  te ajudam a sair dele; algo prazeroso como:

  • ver filmes;
  • escutar suas músicas favoritas;
  • ler livros que te agradem;
  • conversar com seus amigos; 
  • brincar com seu animalzinho;
  • meditar;
  • cantar; 
  • cozinhar... 

É ruim ficar muito tempo parado, mas está tudo bem descansar.  É normal refletir sobre suas ações, mas não se julgue tanto. E fique feliz com um pequeno esboço/rascunho que fizer. Estar aqui neste momento já é uma vitória. E o seu processo de criação é só seu e de mais de ninguém. Respeite-o! 



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Em casa, uma manhã nublada me trouxe lembranças engraçadas.

Aguardando o pão de queijo (aqueles de supermercado) assar, e passando um café torcendo pra acertar a quantidade de açúcar x pó. Eu só consigo acertar o café quando faço no trabalho, seria isso o que chamam de "ossos do ofício"? (Melhor eu pesquisar isso depois -  haha).

De olho no forno, lembrei de dias nublados na casa da minha amiga, quando ainda éramos vizinhos. Deitados no chão da sala, sobre um tapete fofinho, que seu tivesse um daquele em casa, confesso que seria difícil levantar dele (o que será que aconteceu com aquele tapete?) escolhendo um filme na programação da TV.

Esses momentos surgiam bem inesperados, como certa vez, que ela chegou até a cerca da minha casa e me perguntou o que eu estava fazendo. "Nada" - respondi - "Então, vamos fazer nada lá em casa!" - ela sugeriu.  E de repente aquele "nada" se transformava em "algo".

Enquanto esperávamos o filme começar na tv, ela assava pão de queijo e passava um café.  E aqueles aromas saiam da cozinha e  perfumavam a casa inteira. Um cheiro aconchegante de promessa de chuva, pão de queijo quentinho e café entre amigos. 
Então o filme começava e até o final uma coisa era certa: ou ela chorava ou dormia. Se eu escolhia o filme, ela dormia;  se ela escolhia, chorava (assistir drama dá nisso).


Fiquei aqui rindo sozinho disso, enquanto tirava os pães de queijo do forno, quase na hora do almoço (meus horários estão uma bagunça ultimamente). Pronto, hora de provar! É... Não foi dessa vez. Coloquei açúcar demais no café.


Tudo bem, dessa vez eu não acertei o café, mas com certeza acertei na lembrança.



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Enquanto meu perfume doce ainda exala
Venha
Antes que se canse
Venha

Enquanto sou suave em seus dedos
Me Toque
Antes que um simples encontro me desmanche
Me Deseje

Rodeado de barreiras, armadilhas da beleza
Você estaria disposto a enfrentá-los por mim? 
Cada gota que derramar no solo me tornará mais vivo 
Mesmo assim, vou partir antes de ti
Me ame

Ao final do meu tempo estarei só
Você ainda sentirá o meu cherio?
Enquanto eu ainda consigo sentir,
me destrua com suas mãos gentis
Se despeça

- Tarick Haziz

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Aventuras Antigas

Sobre o Desaventureiro

Oi! Eu sou o Tarick, sou mineiro e ilustrador. Este blog contém pensamentos, sensações e lembranças que transformo em textos e poemas. Eu descobri que posso ser aventureiro sem sair do lugar, explorando ideias e mundos literários. Por isso criei o Desaventureiro. Um espaço para viajarmos juntos! Preparados? Vamos mesmo assim!

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