26 Horas

by - dezembro 22, 2013



Após dormir por 26 horas eu me vi obrigado a sair debaixo daquelas cobertas. Enquanto havia um tempo chuvoso lá fora. Um domingo de manhã. Foi quando eu senti um vazio, eu me sentia desnorteado. É difícil viver uma manhã de domingo em casa. Eu, pelo menos, não sei como vivê-la.

O dia foi correndo e só me apareciam flashes do domingo passado. Mas este domingo estava calmo demais.  Era surreal.

Me permiti a preguiça, ficar de pijamas e minha camisa xadrez favorita. Os cabelos? Não havia
um cacho aqui.  Terminei de ver alguns filmes e havia uma inquietação alí, pensei que pudesse ser só a lembrança de um banho esquecido.  Nossa! 26 horas! Corri para o banheiro, enquanto a água escorria eu só pensava em estar longe. Notem que esse é um pensamento raro pra mim, não o repreendi. Deixei rolar. Me vesti e voltei pra sessão se filmes.




Mais tarde, naquela noite, eu me peguei com vontade de ir no trailer próximo de casa e pedir um hambúrguer adaptado pra ser vegetariano. Estava chovendo e eu não estava com roupas pra andar por ruas molhadas durante a noite. E além do mais eu havia acabado de jantar.

Foi quando aquela inquietação voltou e sabia que ela estava alí pra dizer: "Deixa de preguiça, filho da puta! Calça esse tênis, pegue um guarda chuva e largue esse fone de ouvido aí!"
Minhas inquietações sabem ser gentis. E mandonas.

Ao sair de casa, com a chuva fraca, percebi que gosto do som da chuva quando atinge o guarda chuva. Mas não gosto da chuva.

Quando cheguei no trailer, quando ia fazer o pedido, a moça do balcão ja sabia o meu pedido.  Pensei "Isso já está virando um hábito então".  De vez em quando o incomum acaba virando comum para as pessoas.  Percebi que não gosto muito disso.

Chegando em casa, botei um filme pra repetir e comi o lanche. Me permiti engordar, sentir, preencher um pouco do vazio que não era fome.

Veja bem, não era pelo sentimento que a comida preenche, isso não funciona comigo. Era aquela inquietação para fazer alguma coisa, de se colocar em risco [nem tanto] pelas ruas à noite, de não ficar sem esse pequeno prazer enquanto vivo, de sentir alguma coisa. Qualquer coisa.

Isso, talvez, possa honrar o meu domingo passado.



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