Você já se sentiu dividido por dentro? Como se tivesse uma outra parte de você? É uma sensação estranha, não é como se fosse uma parte boa ou ruim, ainda é você, mas essa parte tende a ter uma opinião cautelosa e às vezes até contrária a sua. Por exemplo, você acha super empolgante fazer tatuagem, mas essa outra parte sua, super protetora, começa a mostrar coisas que podem acontecer se você fizer isso, como: o desenho não sair bem feito, você ter reação alérgica, você ter queloide, etc.
Não considero medo, mas ela te mostra coisas pra que você tenha certeza do que quer, pra não se machucar. Como eu disse, super protetora.
Também não é a sua sombra, essa é outra situação. Parece uma luta constante pra ver quem convence quem. E ela é tão esperta que veio agindo sem eu perceber, até me colocarem de frente a ela. De repente me vi acorrentado a ela, mas ao caminhar, era ela quem puxava e liderava o caminho.
Não é uma situação agradável, devo dizer. Você quer acabar com aquilo NA HORA, mas não sabe nem por onde ou COMO começar. Nesse caso eu me dei conta que eu estava lidando comigo mesmo, então eu precisava falar, como conversaria com qualquer pessoa. Falar sobre barreiras que precisam ser destruídas, de situações que precisam ser vividas. Dói, porque essa outra parte te joga os seus medos na cara, ela vai certeira na ferida. Dói, porque você está lidando com alguém que te conhece. Você mesmo! De uma forma que não dá pra entender facilmente. Ela não faz por mal, ela quer o seu bem (de uma maneira duvidosa).
Percebi essa parte em mim ontem, bom, me fizeram percebê-la. Confesso que eu não sabia se ficava com raiva de quem me fez perceber isso ou de mim mesmo por ter deixado isso acontecer, mas procurar culpados gasta uma energia desnecessária e traz muitos estragos. E estragos são coisas que não to precisando no momento.
Autossabotagem. Essa é uma boa palavra pra essa situação. Me sinto como se tivesse me autossabotando esse tempo todo, deixando de viver o que eu quero, me tornando escravo de medos, dúvidas e precauções. Um bando de correntes de aros largos, mas que não faço ideia de como tirar.
Isso me cansa, me faz sentir insuficiente, impotente. Mas eu não vou desistir.
Por mais que eu queira, não posso deixar isso continuar acontecendo, não quero me tornar meu pior inimigo.

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